1) Assentamento passivo sobre implantes: o que é?

É a técnica de compensar todas as distorções e alterações dimensionais oriundas desde a moldagem até os processos laboratoriais, através da cimentação dos cilindros, links ou TiBases às próteses finalizadas: assegura obter superfície de contato PLENA entre a área de suporte da ponte ou protocolo e os implantes ou pilares conectados a eles.

2) Qual vantagem ou razão em buscar esta passividade?

A razão indiscutível é a distribuição de esforços mecânicos mastigatórios de forma homogênea, sem pontos de concentração de estresse e tensões induzidas aos implantes osseointegrados, o que é extremamente comum em estruturas protéticas obtidas por fundição com ou sem partes soldadas.

A má distribuição de esforços causa fadiga nos parafusos protéticos e leva à deiscência óssea nos implantes que suportam a prótese. O estresse sobre os parafusos não só provoca a sua fratura, como também gera o afrouxamento recorrente deles e, por consequência, das próteses.

3) Como obter passividade de assentamento ou "assentamento passivo"?
Não existe fundição perfeita: na metalurgia, a fundição é um processo considerado grosseiro e imperfeito; na odontologia e em outras áreas (aeronáutica, aeroespacial, mecânica, etc.) a passividade de componentes integrantes de um todo ou unidos para trabalhar em conjunto é atingida com tecnologia adesiva ou cimentação. Exemplo: cilindros e parafusos protéticos em pontes ou protocolos.

A passividade é sinônimo de longevidade mecânica sob estresse: por isso 70% de uma aeronave é colada!

 

4) Esta técnica é recente na odontologia?

Não é! 

Na implantodontia, eu a conheci em 1993 e iniciei o uso propriamente em 1995 devido ao prazo para importação dos equipamentos da Kulzer, como o Silicoater. Este era utilizado para silanização das cavidades das próteses e cilindros protéticos, otimizando as propriedades mecânicas de colagem dos cilindros em próteses protocolo. A adoção da K.A.L. Technique (Kulzer Abutment Luting Technique), técnica de assentamento passivo da Kulzer, literalmente salvou a minha carreira, pois, se persistisse em seguir as orientações da literatura até então existente, teria desistido da profissão. Era praticamente impossível obter uma estrutura fundida com aceitável precisão, obrigando rotineiramente a cortá-la e proceder às soldagens que também geram contrações e deformidades: era um inferno.

5) Desde quando se usa?

Filosoficamente, desde sempre!

A cimentação de pontes sobre elementos naturais é assentamento passivo!

A cimentação de um TiBase, link ou interface é assentamento passivo!

Ou seja, estamos mais familiarizados com este conceito do que poderíamos imaginar. 

 

6) É utilizada só em fluxo digital?

Absolutamente não! Você não precisa ter scanner, impressoras, fresadoras odontológicas CNC, links, interfaces ou "TiBases" para obter assentamento passivo: qualquer pilar ou cilindro pode ser empregado para tal.

Tenha em mente: fluxo digital e softwares são avanços tecnológicos para facilitar a sua vida, não para criar técnicas ou soluções milagrosas. 

 

 

7) Qual o segredo para executar a técnica?

Para obter assentamento passivo, basta projetar espaço livre suficiente para uma camada racional e homogênea de cimento ou adesivo. Este espaço é criado na estrutura protética já em sua concepção. 

  • No fluxo convencional, cria-se este espaço no enceramento da estrutura.
  • No fluxo digital, em seu planejamento virtual, seja destinada a ser impressa/fresada e fundida ou fresada diretamente no material de sua escolha, sejam metais ou cerâmicas, como zircônia. 

 

8) Na implantodontia, qual o cimento ideal para a técnica de assentamento passivo?

Sempre usei e recomendo cimentos resinosos duais, fotoativados. Procure ser bastante experiente e conhecedor das características do cimento eleito; considerando que o padrão ouro é a captura dos cilindros com a prótese finalizada DIRETAMENTE em boca, o domínio do processo é indispensável, acredite. 

O momento da captura dos cilindros é crítico; por isso, recomendo:

  • atenção focada no procedimento;
  • proibição de distrações;
  • redução da luz ambiente na manipulação;
  • desligar o refletor ao aproximar a prótese da cavidade oral;
  • remoção dos pellets de cada canal;
  • aparafusamento digital de todos os cilindros;
  • averiguar o assentamento da prótese sobre todos os pilares;
  • testar a oclusão rapidamente;
  • fotoativar nas bases e por oclusal de cada cilindro;
  • remoção para acabamentos e entrega.

 

Siga sempre as regras habituais para a escala de manutenções.